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Por que me demiti em duas semanas

September 17, 2018

Este texto foi originalmente publicado em 7 de março de 2017, no Facebook apenas. Fazia coisa de um mês que havia saído da Revista Glamour, após quase 5 anos como redatora-chefe, e tinha sido convidada para ser uma das figuras à frente do que hoje se tornou o Universa UOL. Na verdade, isso aconteceu antes da minha saída, e eu aceitei. Porém, chegando lá constatei que não queria mais a vida de redação e saí em duas semanas. Com sinceridade e portas abertas, devo dizer, porque hoje sou colunista de carreira lá, com muito orgulho! 

 

Decidi republicar o texto aqui porque demonstra bem o que sentia no momento da transição de carreira, um assunto sobre o qual me perguntam muito, e que reflete o que penso. Hoje sei que segui o caminho certo, embora ele ainda esteja no começo -- veja, nem faz tanto tempo assim.

 

Desde então já ministrei dezenas de workshops, outras dezenas de palestras e somei centenas de coachees presenciais e nos cursos online que lancei -- de Metas Efetivas e Branding Pessoal. Sou mais bem-sucedida do que antes em todos os aspectos. Eu desconfiava que isso ia acontecer quando escrevi este texto, mas não tinha essa coisa que chamam de certeza absoluta. Tinha um sentimento, uma vontade e uma coragem aflorando. Mudei alguns poucos rumos do que me propunha na época, porque a vida é dinâmica e porque a gente controla uma parcela dela, mas não tudo. 

 

Que o texto inspire quem tiver que inspirar. Quis compartilhar de novo com este intuito, tá? Bora.

 

(Foto: Caue Moreno)

 

Por que me demiti em duas semanas 

 

De que adiantaria falar aos quatro ventos para as pessoas terem coragem de seguir seus sonhos e valorizar seus talentos se eu mesma não o fizesse? Sempre fui, digamos, um pouco arrojada com relação à minha carreira. Tive coragem de mudar de cidade mais de uma vez, de enfrentar provas mesmo apavorada, de sair de trabalhos que pareciam incríveis mas já não me satisfaziam, de retroceder em cargos, enfrentar gente “difícil”, de ser a pessoa “difícil”, de ir e voltar de empresas e assim por diante. Mas nunca tinha me acontecido algo no estilo ‘coito interrompido’: mal chegar num novo lugar e já querer sair.

 

Mas nunca tinha me acontecido também de eu me encontrar em outra área que não o jornalismo.

 

E a verdade é que, desde que me tornei coach, fui sacando que queria me debruçar mais sobre projetos na área e que conciliar isso com a rotina de coordenação de uma redação seria não me dedicar 100% a nada. Nada menos a minha cara que ser mais ou menos.

 

Foi duro desapegar de preconceitos com a área nova, aceitar me expor, entender a importância de ignorar a arrogância jornalística que conheço tão bem (a minha, calcificada em cada osso, e a de outros) como algo pueril diante do benefício que o coaching e até a autoajuda séria fazem pela vida de alguém. Sempre amei redação -- tipo vício, abraço carinhoso e café quentinho com pão na chapa de manhã -- mas enfim chegou o momento em que não tinha mais esse apego. Foi estranho e de certa forma libertador constatar isso.

 

Precisei, no entanto, ter coragem, ou seria uma coach e uma pessoa extremamente hipócrita com relação a tudo o que digo aos coachees e nos meus textos e vídeos nas redes sociais. Coragem para acabar de chegar em uma nova redação e assumir que não estava feliz, que não queria mais passar o tempo assim e que eu precisaria me demitir precocemente. Ontem eu fiz isso no Uol - que fique claro: uma baita redação, com profissionais superbons e um projeto mara por vir. Não estou me gabando, até porque sei que isso é bastante incomum e quase sempre uma atitude com impacto negativo sobre o currículo. Não recomendo uma decisão como a minha na maioria dos casos, aliás.

 

Eu já sabia, quando deixei a Revista Glamour, que iniciaria um ciclo radicalmente novo e mais voltado ao coaching e ao que chamo de storymaking (misto com consultoria). Mas, até por ter estudado tanto sobre transições, imaginei que conseguiria fazer isso de forma paulatina. Não consegui, não quis conseguir.

É a minha carreira, a minha escolha e o meu desejo de seguir um caminho próprio, mais livre, que mescle as áreas de que gosto com os ônus e bônus de ser completamente responsável pelas decisões que virão a partir de agora. Isso é autorresponsabilidade – dói, mas é bom também.

 

Então, a partir de hoje, sou Bruna s/a. Coach e jornalista, como já era, só que seguindo projetos com escritório próprio, e um escritório apenas. Vou prestar consultoria em comunicação, branding e imagem para pessoas e empresas, continuar ligada e atuante em moda, beleza e carreira (minhas paixões) e, claro, dar cada vez mais energia ao coaching, individual e em workshops que passo a ministrar a partir do início de abril.

 

Bruna, redação nunca mais? – me perguntaram. Respondi com a sinceridade que o momento pede: não faço a menor ideia, dizer nunca não é comigo. Neste momento, não quero. Sou muito grata a tudo o que as redações me trouxeram, mas estou decidida, feliz e aliviada por virar a página. E que a gente tenha coragem de fazer isso sempre que tiver essa DECISÃO INTERNA tomada. É ela que nos motiva, que nos move. E que dá tesão, né, porque sem ele a vida é morna demais.

 

Ao que concluo: coito interrompido é melhor do que ir adiante num sexo sem tesão. Pelo menos eu acho.

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