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Sobre defeitos, manipulação de fotos e branding pessoal

June 24, 2018

Em que momento mesmo a gente começou a usar aplicativos para afinar o corpo, alongar as pernas e limpar as imperfeições do rosto? E não seria agora a melhor hora para parar? Na minha visão, isso não é apenas saudável, mas também estratégico do ponto de vista do Branding Pessoal. 

 

Vem comigo que vou te dizer por quê. 

 

Lembro quando vi algo como um primo do Facetune pela primeira vez, quando ainda era redatora-chefe da Glamour, e achei incrível me ver com uma pele lisa-emborrachada, algo que até então a gente só via nas modelos photoshopadas dos comerciais e dos editoriais das revistas. Que democracia maravilhosa todo mundo ter acesso a isso, hein?! Hum, calma. 

 

 

A coisa evoluiu enormemente desde então e saber o que é fake e o que é real nas redes sociais se tornou quase impossível. Nem estou entrando na seara número de seguidores e curtidas. Não é o foco deste texto. Você sabe quando a coisa passou do ponto quando esbarra sem querer naquela foto da sua tia parecendo um fantasma esticado e overmaquiado no Facebook e tem pena e vontade de ligar avisando que ela exagerou.

 

Mas, veja, não necessariamente você nota os detalhes pequenos e bem cuidados tratados em fotos de blogueiros, influencers e até de pessoas que não vivem das redes, mas que levam jeito para a edição de imagem. 

 

Minha relação com as fotos 

 

Eu já fiz, sei do que estou falando. Já afinei cintura, mexi no braço que não estava do meu gosto e assim por diante. Hoje me recuso a manipular minhas fotos assim, não vejo graça nem sentido. Eu clareio, mexo em contraste, procuro ângulos que considero favorecedores, curto sair bonita na foto... Mas não quero emagrecer 10kg na imagem para fingir ser quem não sou. Acho um desserviço aos seguidores. Então, se você topar comigo, não vai me achar tão diferente do que viu na internet. Provavelmente estarei com o mesmo cabelo, com alguma maquiagem no rosto, que uso sempre e desde os tempos offline, e com o look que postei naquele dia mesmo. 

 

Tento me colocar no lugar das várias pessoas que estão por aí achando seus corpos feios, seus rostos defeituosos e suas vidas desinteressantes só porque não se encaixam neste ou naquele padrão. Autoestima vem de dentro, mas é influenciada por um fator chamado autoimagem, que, por sua vez, é influenciado por uma porção de fatores externos.

 

Não vou mudar a visão que cada um tem de si apenas não manipulando uma foto minha. Mas com isso posso mandar um "microrrecado" de que a gente pode se aceitar como é e trabalhar com o que a natureza deu, mesmo tendo defeitos. Até porque todos temos defeitos. 

 

Eu sou assim, você é assado. Essa é a graça. Ou deveria ser. 

 

E o que isso tudo tem a ver com Branding Pessoal? 

 

Explico.

 

Branding pessoal é sobre trabalhar sua imagem como se fosse uma marca, enfatizar suas características mais positivas de forma a se diferenciar no mercado e ser reconhecido como referência em algum setor. Tem a ver com comunicar o melhor de você e tentar ao máximo controlar a imagem que os outros formarão de você. 

 

Você pode estar aí pensando que trabalhar o branding pode ser o avesso de tudo o que disse antes, certo? Mas, gente, não precisa ser! Só é o avesso se entendermos o branding pessoal como uma mentira, um mascarar da sua verdade, uma manipulação de como você se apresenta. Acredite, eu entendo a diferença.

 

Fiz Pós em Marketing Político e Propaganda Eleitoral, e na política essa manipulação da marca pessoal é uma epidemia! Mas eu não quis trabalhar com política -- inclusive, por isso. E não é assim que eu vejo o bom personal branding. 

 

Na minha visão, suas qualidades e defeitos formam esse "pacote" chamado Você, que se torna único e portanto mais interessante justamente por isso. Quanto mais o branding pessoal começar a ser trabalhado por aí -- e este é um conceito que pipoca desde meados dos anos 1990, então aguarde crescimento --, mais o diferencial vai ser fundamental. 

 

Eu sei que existem fórmulas, ondas que funcionam, tendências, e elas ficam mais evidentes e importantes com as redes sociais. Sei também que entrar em várias delas é uma estratégia megaeficiente para vender seus produtos e serviços. Indico que muita gente embarque nelas, por que não?

 

Mas pensa aqui comigo: embarcar nas ondas sem ter consistência, sem que isso tenha a ver com sua essência, é uma estratégia de curto prazo, pueril. Só indico entrar na onda quando a onda for muito A SUA CARA. 

 

Mostra a sua cara! 

 

Conhecer a si mesmo é o fundamento do bom branding pessoal, na minha opinião. E conhecer o que de fato você pretende usando determinado posicionamento. Ter objetivos, saber o que quer e por que quer aquilo. Quanta gente de fato faz isso? Quanta gente de fato aceita os ônus e bônus de ser quem é? Quanta gente se entende, se aceita e se posiciona sabendo o rumo que quer para a sua carreira? 

 

Acontece que estamos entrando numa era de valorização do que é único, diferente, da identidade acima de tudo. A geração Z não curte as fotos montadas demais, os feed impecáveis, as marcas que querem só lucro, as pessoas que embarcam em qualquer onda sem saber qual é a delas. Mas a geração Z está só começando a crescer e talvez muitos de nós ainda não tenhamos começado a sentir isso. 

 

Já vejo -- e talvez você também note, com certo constrangimento -- muita gente tentar forjar autenticidade, defendendo causas que não defenderia, falando de assuntos sobre os quais não falaria, mudando de estilo completamente, mostrando uma falsa realidade nua e crua ou postando máximas contrastantes com o que você sabe que ela é... Mas e daí? Na boa!!! Se as causas forem importantes e nobres, que o coro aumente, faço votos!

 

Até porque o que não for verdadeiro será desmascarado uma hora ou outra. Todo mundo percebe quando uma pessoa é autêntica. E se você é dessas que pula de galho em galho, ok também. Você tem potencial para a autenticidade, todos temos. Pule de galho em galho até achar o seu, ué.

 

Meu ponto principal é: todos somos influenciados pelas gerações mais novas, e a geração que está vindo aí preza pela verdade, pela autenticidade e pelas causas. Logo, todos estaremos imbuídos do espírito dessa geração. Não vai ter Photoshop que resolva se você não começar a olhar para dentro. Para seus gostos, para seus talentos, mas também para os seus defeitos.

 

Não tem que ser perfeito, tem que ser você 

 

Abraçar os seus defeitos pode ser libertador e, quem diria, estratégico nesses novos tempos. 

 

Absolutamente todo mundo tem problemas. As pessoas mais ricas, contentes, divertidas têm. As analisadas, "coacheadas", bonitonas e cheias de seguidores também. Todas, todas. Se você é uma pessoa, você tem problemas. Ainda que seu problema seja não conseguir reconhecer seus problemas. Somos complexos mesmo. Temos inseguranças, dores, medos, fraquezas e boletos pacas pra pagar (a maioria de nós, ao menos...). 

 

Você não precisa ler este post e começar a escancarar os seus problemas. Nem precisa concordar comigo. Sabia que é ok as pessoas discordarem? Antes do Facebook era assim -- e isso é tema para outro post, sobre como os algoritmos podem nos deixar mimados, acreditando que somos os donos da verdade e intolerantes com o diferente. 

 

Mas você pode usar essas minhas ideias para experimentar se acolher na sua complexidade, encarar seus problemas e defeitos de cabeça erguida, quiçá usar isso a seu favor. Compartilhar um ou outro defeitinho, quem sabe? Falar sobre isso, se achar que pode ajudar alguém. 

 

Vamos pensar no que de fato te representa. No que é ser você. No que faz de você uma pessoa única. Nas suas imensas qualidades que poderiam ser conhecidas por mais gente e inspirar outras tantas. Nos seus defeitos que poderiam ser acolhidos e aproximar pessoas e, mais ainda, serem vistos como qualidades sob outro ponto de vista. 

 

Sua marca vai ser bem mais duradoura se for de verdade. E vai fluir, vai desabrochar, vai evoluir, pode até titubear, mas não vai perder sua essência. O esforço de trabalhar um branding calcado na realidade é mil vezes menor. Fora que é mais efetivo. 

 

Pense em qual é a sua melhor fatia, porém com aquele borogodó que pode vir justamente da imperfeição. Sua versão essencial, essa sim, merece ser vista e reconhecida. E isso pode começar pelas fotos lindas, mas super DE VERDADE que você publica, pelas falas do coração que resolve colocar pra fora num Stories ou pelas relações mais duradouras que estabelece -- cobranding dos bons, daqueles que aumentam a credibilidade de ambas as partes, sabe? 

 

Eu acredito nisso, vejo uma era de branding amadurecido vindo aí. Branding de verdade, a marca você entrando num novo e mais interessante patamar. E você? 

 

Veja também:

 

Como se tornar um influencer digital: dicas práticas

 

Vergonha de fazer Stories e outros possíveis sinais de Síndrome da Impostora

 

 

 

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